quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Pré-socráticos: primeira geração de filósofos


Nesta breve abordagem, vamos analisar o esforço investigativo feito pelos primeiros pensadores. Homens destemidos, sem vaidade e, até certo ponto, ingênuos, iniciaram — no seu tempo — um incipiente filosofar. O que eles propõem é um novo jeito de pensar. Defendem o uso da razão e da racionalidade para esse fim.

É assim que começa, por volta do século VI a.C., a história da filosofia. Com esse audacioso movimento da razão, os pré-socráticos substituem a dogmática do mito por uma mentalidade puramente intelectual. Do ponto de vista histórico, ela vinca, de modo definitivo, a história da humanidade ao mundo grego. Eles foram geniais e desconcertantes. Vejamos:

Em primeiro lugar, e muito simplesmente, os pré-socráticos inventaram a própria ideia de ciência e filosofia. Descobriram aquela maneira especial de olhar para o mundo, que é a maneira científica ou racional. Viam o mundo como algo ordenado e inteligível, cuja história obedecia a um desenvolvimento explicável, sendo suas diferentes partes organizadas em algum sistema compreensível. O mundo não era uma reunião aleatória de partes, tampouco sua história uma série arbitrária de eventos.
Os pré-socráticos, no seu primeiro ato contemplativo, identificam na natureza pressupostos indubitáveis, tais como: a ordem, a organização e o inteligível. É a partir dela, a natureza, que tudo começa. É recomendável lembrar que eles não possuíam um acervo bibliográfico para pesquisa ou consulta, daí a genialidade. O que tinham diante de si era apenas a natureza e os seus fenômenos. É por aí que desenvolvem suas primeiras reflexões, com o intuito de entender os fenômenos presentes na natureza.

O termo physis, que significa natureza, empregado por esses filósofos, deriva de um verbo cujo significado é “crescer”. Com isso, eles distinguem claramente o que provém da natureza e o que não provém dela. É interessantíssimo como eles reconhecem essa proeminente distinção, mesmo sendo considerados ingênuos por alguns historiadores da filosofia.

Os pré-socráticos investigavam a natureza das coisas ou aquilo que, de uma maneira ou de outra, participava da natureza das coisas — não de forma acidental, mas de modo essencial. Seguindo tal perspectiva, desejavam encontrar ‘o princípio’ que subjaz em todas as coisas. É com esse modo de olhar para o mundo que aparece a mente filosófica. Ela começa quando o homem rompe os limites do mundo mítico, circunscrito na natureza próxima, instaurando, assim, a atitude que indaga e pergunta.

Os pré-socráticos foram os primeiros a perceber que a natureza tinha causa em si mesma. Foram eles que começaram uma progressiva caminhada rumo ao surgimento das ciências. Superado o sono dogmático, imperativo do mito, a emancipação é inevitável; o saber, uma consequência. Já vivemos um outro tempo, a era da razão.

BARNES, J. Filósofos Pré-Socráticos. Tradução Julio Fischer. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

João Alberto Acunha Tissot
Professor de Filosofia

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Introdução ao pensar, a origem do filosofar

Sabe-se que, ao longo do tempo, a filosofia atraiu sobre si indisfarçável antipatia. Mesmo velada, ela existe. As razões não são facilmente identificáveis. Quando falamos de filosofia para as pessoas, o que era tácito, torna-se explícito. Logo, surgem as rejeições. Tal comportamento é compreensível, mas como é uma atitude impensada e não refletida, precisa ser refutada. Os filósofos nos ensinaram a pensar além do senso comum, preparando o caminho. Aos professores de filosofia, preceptores desse conhecimento, cabe a iniciativa de fazer as demais pessoas seguirem esse caminho. No entanto, sabe-se de antemão que tal tarefa não é simples, embora necessária.

As pessoas se habituaram a pensar com base no senso comum, mas ele não nos conduziu por um bom caminho. A filosofia propõe o bom senso, o pensar sistemático. A seguir, propõe a criticidade, capacidade para sopesar, tornar-se o avaliador justo, aprender a pôr na balança. Para tanto, precisamos reaprender a pensar. A filosofia não é um modo de pensar que tangencia cada questão, ela se demora na análise de cada uma delas, procurando extrair o que está em jogo. Deseja compreender cada momento, ou seja, filosofar. Sem isso, como diz Hegel, filosofar seria o mesmo que nadar sem entrar na água.

Muitos julgam a filosofia como algo sem utilidade e logo perguntam para que serve a filosofia. De fato, ela não é utilitarista. Não é como o martelo, que é um instrumento da técnica, utilizado para bater pregos basta vê-lo e já se sabe para que serve. A filosofia tem fim em si mesma, isso ainda precisamos aprender. Eis aí o primeiro passo.

O que a filosofia estimou para si desde os primórdios foi um saber próprio, originário. Por isso, indagou: qual o princípio que justifica o surgimento de todas as coisas? Com essa pergunta, ela gerou espanto e perplexidade, impondo um impasse para si mesma, pois não tinha a resposta. “Ora, quem formula impasses e se admira julga ser ignorante; consequentemente, se filosofaram justamente para fugir da ignorância, é claro que buscaram conhecer pelo saber e não em vista de alguma utilidade”. (ARISTÓTELES [Metafísica, p.12],2008).

A filosofia, a partir de si mesma, empreende, numa iniciativa teórica, o pensar autêntico. Com esse movimento do pensamento, produz conceitos e um vocabulário apropriado. Assim, ingressa no conhecimento e na linguagem. Neste esforço, a razão prossegue e avança visando desvendar os meandros da realidade, reconhece a presença do inteligível e o mundo natural. Ela quer, assim, iluminar a realidade, trazer à luz do saber o que era abstrato e enigmático. Produz, assim, inúmeras falas, cria o discurso, a dialética e a arte da argumentação.

A filosofia precisa manter-se no pensar autêntico, não pode correr o risco de fazer abordagens impróprias ou inadequadas – seus temas se interpenetram, facilmente caem no indeterminado. Portanto, ela deve ser diligente na elaboração dos seus conceitos e definições. Precisa manter-se no caminho, nunca fora dele.

João Alberto Acunha Tissot
Professor de Filosofia

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Reflexão sobre o movimento

A filosofia é laica desde seus primórdios, apesar do surgimento da patrística e da escolástica, momento em que a fé quer superar a razão. Esse período se prolonga por quase quinze séculos e marca a história do desenvolvimento intelectual do homem. A filosofia, por sua vez, resiste, fugindo do jugo do sagrado, da crença e do fenômeno da revelação. Firme no seu propósito, ela soube muito bem salvaguardar o seu maior tesouro, a razão, e com ela, faz um movimento especulativo grandioso em busca do saber legítimo. 

Nietzsche, filósofo alemão do século XIX, escreve aos dezessete anos, um texto genial do qual extraímos o seguinte fragmento: “Fomos influenciados sem ter em nós a força para uma ação contrária, sem mesmo perceber que somos influenciados. É uma sensação dolorosa, haver cedido a própria independência numa aceitação inconsciente das impressões exteriores, haver sufocado faculdades da alma pelo poder do hábito, e a contragosto haver enterrado os germes do extravio no fundo da alma”. Para ele, o dano no destino historial do homem é resultado do interdito gerado pelo período da filosofia na Idade Média.

A Filosofia é saber sobre todas as coisas, é um conhecimento dotado de movimento próprio e em perene construção, por isso, tem visão crítica e precisa rever o seu desempenho na sua trajetória histórica, visando encontrar seus erros e equívocos e, a partir daí, corrigi-los. Ela existe e subsiste no devir, o movimento que permite que tudo venha a ser. Sem ele não há realidade. Heráclito, pensador pré-socrático, percebeu muito cedo que na natureza tudo é movimento.

Para Heráclito, há o movimento, ele é imanente, é algo em si mesmo. Mas entre as coisas da natureza, há também o homem, e nele a autonomia, para que ela serve, senão tornar a subjetividade em legítima e autêntica objetividade. “Na profunda intuição de Heráclito, o universal, o logos, é o comum na essência do espírito, como a lei é comum na cidade”. (Paidéia, p.13).

Para finalizar, volto a citar Nietzsche: “O fato de Deus ter se feito homem indica apenas que o homem não deve buscar no infinito sua felicidade, mas fundar na Terra o seu céu; a ilusão de um mundo sobreterrestre levou os espíritos humanos a uma atitude equivocada perante o mundo terrestre: foi fruto de uma infância dos povos...”. 

Portanto, se há autonomia, há também a vontade forte, e com elas, surgem os mundos e suas realidades, tais como: a cultura, a educação, a ciência, a arte, a política, a literatura, e outras tantas, e sem elas, tudo seria apenas um espaço geofísico, vasto, belo, porém, enfadonho. Por isso, Nietzsche pergunta, seríamos deuses independentes?

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

A difícil arte de educar – Parte II

Diante das manifestações nas mídias sociais, meios de comunicação ou numa rápida conversa com alguém, é visível a desilusão das pessoas ao perceberem que o homem não se comporta educadamente, nem na hora que vai descartar o seu lixo doméstico, por exemplo. O que deveria ser um ato simples, tornou-se um ato de descuido com o espaço público, uma desobediência às regras de conduta. De fato, não sabemos o que fazer para mudar tal situação, não vislumbramos uma perspectiva de melhora a curto prazo. Por isso, desejo retomar a reflexão do meu artigo anterior, publicado aqui no blog em junho de 2014.

O tema educação é fascinante, move e estimula o meu trabalho com filosofia. Quando tratei dele pela primeira vez, apontei o seguinte: “ignoramos como se dá, no íntimo da natureza humana, a assimilação do conteúdo ensinado. Não sabemos o que a torna afirmativa e nem o que a torna negativa. Nessa dinâmica, há os que aprendem, e os que não aprendem. Precisamos entender pedagogicamente como isso se processa”.

Hoje, passado algum tempo da primeira abordagem, persistindo na pesquisa do tema, me aproximei ainda mais da filosofia de Martin Heidegger, filósofo alemão do século passado. Com ele despertei do sono dogmático da metafísica tradicional, me aproximei do conceito de humanismo na concepção desse filósofo.

Na sua obra Carta sobre o Humanismo, publicada pela primeira vez em 1947, ele diz o seguinte: “Em Roma encontramos o primeiro humanismo. Ele permanece, por isso, na sua essência, um fenômeno especificamente romano, que emana do encontro da romanidade com a cultura do helenismo”. Ou seja, os romanos absorveram dos gregos a riqueza desse conceito.

Por outro lado, seguindo o pensamento de Piaget, assimilei dele a sua máxima sobre educação, que diz: “A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram”. Assim, então, estimulado por suas palavras, prossegui, investindo na intensificação da pesquisa e na leitura da obra de Heidegger.

Para ampliar, ainda mais meu conhecimento, retomei a leitura da obra Paidéia de Werner Jaeger. Nela pude entender o valor e o significado da educação para a formação da cultura grega. Por isso, considero valiosa esta sua sentença: “Todo povo que atinge um certo grau de desenvolvimento sente-se naturalmente inclinado à prática da educação. Ela é o princípio por meio do qual a comunidade humana conserva e transmite a sua peculiaridade física e espiritual”. Logo a educação é algo que está implicitamente gravado no seio de uma comunidade, de uma civilização, e sem ela, não há nem uma coisa, nem outra.

Portanto, o nosso desencanto com aquele que não atende as regras de boa conduta, não separa o lixo reciclável do lixo orgânico, insiste em descartá-lo em local inapropriado, está plenamente justificado. Ele não faz parte da comunidade, não é civilizado. Segundo Homero, “é alguém sem família, sem lei, sem lar”.  Não corresponde ao conceito de animal político de Aristóteles

João Alberto Acunha Tissot
Professor de Filosofia

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Sobre a origem do pensamento político – Parte II

Do ideal grego de educação em Homero, avançamos para o ideal de Platão, sob lume do pensamento filosófico, que emergiu das colônias gregas na Ásia Menor a partir do século VI a.C., com Tales de Mileto.

Platão, ainda jovem, demonstra enorme fascínio pela política, principalmente após o seu encontro com Sócrates. Com seu mestre, aprende a importância de fundamentar a atividade política em conceitos claros e seguros. Os “diálogos socráticos”, nos quais Sócrates é o personagem central, servirão para Platão tratar e discutir os principais temas ligados à política, já que nesse momento se vive o período humanista da filosofia.

Seguindo na trilha de Platão, encontramos no diálogo Górgias, a primeira grande tese de seu pensamento político. Nela subjaz a máxima: "a 'verdadeira arte política' é a arte que 'cura a alma' e a torna a mais 'virtuosa' possível, sendo, por isso, a arte do filósofo”. (REALE, 1990, p.162). Para entender a tese platônica, que à luz de aspectos fundamentais assume função preponderante na sua teoria política, torna-se necessário analisar e identificar quais premissas servem ao ideal platônico.

Quando Platão pensa na cura da alma, há na sua teoria uma premissa denominada educação. Quando ele pensa no filósofo como educador, há na sua tese a participação do filósofo – o homem político – que precisa adquirir suficiente aptidão para desempenhar o governo da cidade. Por isso, na obra A República, o empenho de Platão é indicar o melhor caminho para transformar o indivíduo em cidadão e o filósofo no melhor governante. Sem isso, não haverá polis, a cidade-Estado, o espaço da democracia, do bem estar e da justiça.

No diálogo Sofista, Platão, inspirado por auspiciosa sagacidade, pensa o ensino a partir de uma dicotomia distinta. Para ele, a primeira parte é a competência para o ensino da técnica, enquanto que a segunda parte é a competência para educar. A educação, por sua vez, desfaz os vícios da alma, enquanto a técnica prepara para o trabalho. Como se vê, não respeitamos a teoria sugerida por Platão, e o que percebemos hoje é um mundo altamente tecnológico e assaz desumano.

Misturando os universos da técnica e da formação humana, sentimo-nos, mais uma vez, frustrados pelo ideal não alcançado. Assim vivendo, geramos uma incongruência de difícil solução. Confiando apenas na técnica, perdemos o homem e ganhamos a técnica ao invés de ganhar a sua alma. Assim, alienado da realidade e alijado da vida comunitária, o “cidadão coisificado” aguarda, esperançoso, o amparo de uma deusa que com voz sibilina o libertará do jugo desumanizante.

Muitos ainda pensam que Platão era ingênuo ou que o seu ideal era utópico. Na verdade, o que falta em nós, homens secularizados, é um pouco da sua perspicácia. Por isso, nos tornamos homens sem alma, sem memória e sem historicidade. Como resultado da cronologia do tempo, o que somos, senão, apenas arquétipos da história?

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Sobre a origem do pensamento político – Parte I


O ser humano precisa ser educado para a convivência, pois na medida em que vive, convive. Viver e conviver é existir. Por sua vez, existir é partilhar com o outro as diferenças, os desejos, as virtudes e as semelhanças. É através do enlace existencial – entre eu e o outro – que o existir se faz vivência. Por isso, cada homem precisa ser educado e despertar em si o inteligível. É através do inteligível que ele supera as diferenças, consolida as semelhanças, e cria um ambiente favorável para o surgimento da comunidade, o espaço comum de convivência.

Para os gregos, a educação, desde os primórdios, teve valor inestimável. Na obra Paideia, Jaeger escreve: “O Helenismo ocupa uma posição singular. A Grécia representa, em face dos grandes povos do Oriente, um ‘progresso’ fundamental, um novo ‘estágio’ em tudo o que se refere à vida dos homens na comunidade. Esta fundamenta-se em princípios completamente novos. Por mais elevadas que julguemos as realizações artísticas, religiosas e políticas dos povos anteriores, a história daquilo a que podemos com plena consciência chamar cultura só começa com os gregos”. É com eles que a educação vai atuar sobre o homem e proporcionar a devida formação humana.

É com o surgimento dos poemas homéricos, Ilíada e Odisseia, entre o século X e  VIII a.C. que a história da formação humana tem início na Grécia de Homero. Para ele, o conceito de “Arete” assume função preponderante na formação do homem grego. Não temos na língua portuguesa um equivalente exato para este termo. Ele é problemático e de difícil entendimento, até mesmo para os gregos.

“Arete” é um princípio que designa a excelência humana e precisa ir além da virtude como mero conceito ético/moral. Visa despertar, em cada homem, elevada autoestima, conduta cortês e distinta e, também, aniquilar o individualismo. O princípio espiritual dos gregos não é o individualismo, e sim o “humanismo”. Por isso, o conceito de “Arete” surge e se firma no seio do povo grego, quando pela educação como processo histórico, eles assimilam os valores humanos e negam o individualismo.

Para os gregos, o fim último da educação era – pela paideia – dispor ao homem grego acesso à sua humanitas. No entanto, sabe-se que o desejo grego de consolidar no homem a sua natureza humana se inviabiliza, à medida que o seu agir, guiado pelo imperativo dos instintos – predominância do ente sobre o ser – se configura na cronologia amarga do tempo vivido.

Hoje sentimos os efeitos deste influxo existencial, justificado pela dificuldade em superar o egocentrismo predominante no comportamento humano do nosso tempo. O ideal grego ainda não foi alcançado.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Aversão pela filosofia

Sabe-se que ao longo do tempo a filosofia atraiu para si indisfarçável antipatia. As razões não são facilmente identificáveis. Mas, quando despertamos nas pessoas o interesse por filosofia, o que era tácito torna-se explícito, e elas não conseguem evitar a rejeição que sentem por ela. Quase sempre consideram a filosofia enfadonha, sem utilidade e de difícil entendimento. De fato, ela não é utilitarista, não tende para o particular ou para o relativo, ela estima para si o saber sobre o todo, desconfia que o genuíno encontra-se encoberto na origem. Percebe desde os primórdios que a ignorância é uma latência transitória, algo a ser desvendado.

O que talvez deixe a filosofia chata ou cansativa é a metodologia por ela adotada durante o processo dialético e argumentativo – o filosofar autêntico – competência desenvolvida pelos primeiros pensadores para realizar a justificação racional. Por sua vez, a ignorância é superada na medida em que cada etapa desse processo argumentativo avança e se expande. Portanto, o conhecimento resultante é uma atividade da razão pura, definitivamente desmistificada pelos gregos.

Já na idade média, a razão é interpelada arbitrariamente pela fé, que gera o dogma e, com ele, surge o sortilégio nefasto que interrompe a caminhada dialética, cerceando a liberdade da razão, instaurando no homem o instinto de rebanho. Dessa forma, o livre pensar perde a autonomia para a fé e a razão se deixa subjugar pela dogmática instituída. Desde então, vagamos e divagamos, não se sabe ao certo. Sabe-se apenas que sucumbimos e desaprendemos a pensar. Prisioneiros dos círculos concêntricos do mero existir, perambulando, perdemos a capacidade de pensar verticalmente. Hoje somos homens vivendo na horizontalidade. Será isso de fato o que somos?

A filosofia pode devolver a cada um de nós a autoestima suplantada pela dogmática histórica. Pode nos ajudar a resgatar a plena capacidade da razão livre e pensar sem o medo e o dogma das doutrinas. No entanto, o homem contemporâneo, que apenas se move sob a pressão dos círculos existenciais, ainda deixa-se arrastar pela força de doutrinas combalidas e corroídas pelo tempo. Não querendo se libertar, preserva em si mesmo indícios de um primitivismo incontestável e pouco evoluído. O que deveria tê-lo humanizado não o fez, mas mesmo assim, não o liberta e nem o deixa prosseguir.

O homem do senso comum pensa que a filosofia atua sobre o imponderável e julga o ato filosofante como devaneio ou perda de tempo. Filosofar não é divagar, é a busca pelo ponderável desconhecido, é um ato livre do puro pensamento. Pena que ainda não fomos suficientemente adestrados para o ato filosofante puro, tão necessário e indispensável para a nossa humanização. 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Oficinas filosóficas têm local definido


As oficinas filosóficas, neste ano de 2016, ocorrerão no Espaço de Arte Daniel Bellora, na Rua Três de Maio, 1005, em Pelotas (RS).

A primeira oficina abordará o tema “Introdução ao Filosofar” e está programada para o mês de abril. Serão quatro encontros, sempre à tarde.

Em breve, definiremos os dias da semana e os horários em que as oficinas ocorrerão.

Os interessados já podem se inscrever. Mais informações pelo facebook João Alberto Tissot, aqui pela página Filosofar é Preciso, no blog ou via e-mail.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Um pouco sobre filosofia moral


João Alberto Acunha Tissot
Licenciado em Filosofia


Muitas vezes, tomamos conhecimento de movimentos nacionais ou internacionais de luta contra a fome. Ficamos sabendo que, em outros países e no Brasil, milhares de pessoas morrem de inanição. Sentimos piedade e ficamos indignados. Movidos pela solidariedade, participamos de campanhas contra a fome. Esses sentimentos e ações desencadeadas por eles exprimem nosso senso moral, a maneira como avaliamos nossa situação e a de nossos semelhantes, segundo ideias como as de justiça e injustiça. (CHAUI, 2011, p. 261).

Não basta ficarmos comovidos ou indignados diante de tais circunstâncias, precisamos por à prova a nossa consciência moral, e com ela agir com autonomia e não sob a influência dos costumes que herdamos pela tradição da sociedade em que vivemos. A filosofia moral ou a ética nasce quando se passa a questionar o que são e o que valem os costumes. Sócrates é quem inaugura essa reflexão. É ele que passa a perguntar qual o sentido dos costumes transmitidos de geração em geração, pergunta também quais as disposições de caráter que levam alguém a respeitar ou a desrespeitar os valores herdados pela tradição.

Sócrates descobre a consciência do agente moral, ou seja, que para se tornar um sujeito ético, cada pessoa precisa saber como se faz, conhecer as causas e os fins de sua ação, o significado de suas intenções, de suas atitudes e a essência dos valores morais. Desse modo, percebe-se que só haverá comportamento ético numa sociedade, se nela houver a presença atuante do homem sem vícios, o homem ético.

“Para que haja conduta ética é preciso que exista o agente consciente, isto é, aquele que conhece a diferença entre bem e mal, certo e errado, permitido e proibido, virtude e vício. A consciência moral não só conhece tais diferenças, mas também se reconhece como capaz de julgar o valor dos atos e das condutas e de agir em conformidade com os valores morais. Consciência e responsabilidade são condições indispensáveis da vida ética”. (CHAUI, 2011, p. 266).

Mesmo passado tanto tempo, ainda podemos perceber o vigor e a originalidade do filosofar socrático. Ele permanece atual, embora pouco assimilado por nós. A filosofia afastou-se do seu ponto de origem, o pensar filosofante, decidiu percorrer outro caminho, preferiu tangenciá-lo, e isso é lamentável. Os pensadores originários foram alijados do processo filosofante.


CHAUI, MARILENA. Iniciação à Filosofia. São Paulo: Ática, 2011.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

A descoberta do eu racional

João Alberto Acunha Tissot
Licenciado em Filosofia

O conhecimento e a descoberta do inteligível ainda são os meios que permitirão ao homem, de forma inequívoca, progredir e avançar nas questões humanas, tornando-o solidário e compreensivo no grupo social onde vive. No entanto, não é o que se vê, pois ele insiste em se manter fiel a crenças que não conseguiram comprovar o que preconizavam, impondo-lhe inúmeras derrotas e raríssimas vitórias.

O homem, ente humano dotado de autonomia, escolheu para o seu agir o arbítrio e a deliberação amparada no eu existencial. Esquecendo-se de ponderar sobre si mesmo, passou de imediato a participar do mundo da vida, consigo e com os outros, estabelecendo para esse fim inúmeras relações humanas. Como corolário de suas atitudes, surgiram as dificuldades, os conflitos e as aflições, evidenciando sua insensatez.

Ao longo do tempo, o homem descuidou-se da sua humanização, dedicou-se a técnica, especializou-se na arte mecanicista, não aprendeu a pensar. Ele pensa, e sabe-se que sim, no entanto, quando pensa, volta seu pensar sobre si mesmo, ignora o outro e ainda inclui na sua indiferença, a natureza e o meio ambiente. Mesmo assim, reclama. Ele não sabe o que é alteridade, conceito filosófico que diz: “Ser outro, pôr-se ou constituir-se como outro”.

Imobilizado, aguarda, talvez, um movimento mágico, uma ação dos “deuses” na expectativa de encontrar um sentido para seu eu existencial. Ele não aprendeu a atuar pragmaticamente, não soube construir seu mundo, ele desconhece a sua natureza racional livre, a sua legítima autonomia. Ele solapou de si mesmo o que tem de melhor.

Georges Gusdorf, filósofo francês, diz: “A união da alma e do corpo, constitutiva, apesar de tudo, da realidade humana, reduz-se ao resultado de um encontro casual, prejudicial, aliás, à expansão do pensamento puro. É necessário fazer suas opções para viver, mas tanto quanto possível para filosofar. Porque é possível pensar sem o corpo, ou contra ele se for preciso, mas nunca com ele”.

Portanto, assimilemos tal pensamento e com ele resgatemos a nossa legítima autonomia, consolidando aquilo que ainda não se tornou uma experiência efetiva para nós, homens do nosso tempo.


domingo, 10 de janeiro de 2016

Em defesa do mito

João Alberto Acunha Tissot
Licenciado em Filosofia

O uso frequente que se faz da sentença “é mito ou verdade”, quando se quer resolver um dilema qualquer, é no mínimo indevida ou equivocada. A sua insistente repetição induz no homem do senso comum a certeza de que ela é legítima. Daí se conclui que, quando ele quer elucidar os dilemas do seu cotidiano existencial, segue a tradição e considera a falsidade da palavra “mito”, ignorando o seu real significado.

O primeiro aspecto que precisamos considerar, e com ele realizar um trabalho confiável sobre o que é o mito, é a necessidade de preservar e utilizar as referências que nos foram legadas por pesquisadores confiáveis, tais como Mircea Eliade e Georges Gusdorf, por exemplo. Sem esse cuidado, persistiremos no equívoco da mera opinião que, segundo Platão, corresponde ao erro. Ele foi o primeiro a tratar a questão com relevante seriedade, ao propor um princípio de ciência para a sua filosofia, o que segundo ele, possibilitaria chegarmos ao conhecimento autêntico.

O mito e a sua respectiva investigação nos põem diante de uma realidade cultural extremamente complexa, podendo ser abordada e interpretada através de perspectivas múltiplas e complementares, segundo Eliade. Em virtude disso, o zelo ao tratar de uma realidade tão significativa para a história da humanidade requer de cada um de nós, dotados de vocação filosófica, uma diligente maestria na sua abordagem.

Outro aspecto que cabe salientar é a distinção que há entre o valor semântico do termo “mito”, reconhecido pela tradição, como “fábula”, “invenção” ou “ficção”, e a nova acepção assumida a partir do trabalho dos etnólogos, sociólogos e historiadores das religiões. Para eles, o vocábulo “mito” designa uma “história verdadeira”, dotada de “caráter sagrado, modelo exemplar e revelação primordial”. O mito, desse modo, justifica o surgimento de uma realidade que não existia. Ele faz uma narrativa a respeito “de algo que foi produzido e começou a ser” e, por isso, merece nossa atenção, reflexão e interesse.

É seguindo essa perspectiva que devemos conduzir nosso estudo e trabalho, pois foi deste modo que esses pesquisadores conseguiram seus melhores resultados. Se mudarmos o rumo da nossa investigação, estaremos assentindo com premissas duvidosas ou distorcidas.

Não é aconselhável, portanto, tomar como ponto de partida a mitologia grega, por exemplo, pois a maioria dos seus mitos foi recontada e, consequentemente, modificada, articulada e sistematizada por Hesíodo e Homero.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Sobre o surgimento do filosofar

Embora existam datas assinalando o início e o fim da trajetória da filosofia grega, eles cultivavam pensamentos filosóficos desde antes da demarcação histórica do surgimento da filosofia.

O que importa para nós, ao retomarmos nossa discussão filosófica, é que no século VI a.C, uma sucessão de indivíduos inexperientes e geniais introduziu de forma audaciosa um modo de pensar, até então, sem precedentes. Esses pensadores antigos, denominados de pré-socráticos, são os responsáveis pela passagem do pensar mito poético dos gregos e o início da racionalização que possibilitou, em curto prazo, o surgimento da filosofia.

Os pré-socráticos investigam, inicialmente, as questões ligadas à natureza, basicamente sobre meteorologia e seus fenômenos. De modo que Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo pela tradição histórica, previu com êxito um eclipse solar confirmado pela astronomia moderna por volta de 585 a.C.

No entanto, o que estimulou efetivamente o pensar dos pré-socráticos foi a própria ideia de ciência e de filosofia. É um modo científico ou racional de olhar para o mundo. Eles percebiam o mundo como algo ordenado, inteligível e passível de explicação, onde cada parte está organizada de forma compreensível. O mundo não é um aglomerado aleatório de partes. Ele exige explicações científicas e a elaboração de conceitos. E esses, por sua vez, permitirão o surgimento de outros, através do esforço científico. Os conceitos não surgem do nada. Os pré-socráticos estão entre os primeiros inventores.

Ao iniciar a árdua tarefa do filosofar diante da natureza, os pré-socráticos se depararam com algo até então inexplicável. Diante disso, ficaram espantados e perplexos. É o espanto que move a razão humana para produzir algo novo e ainda impensado, a filosofia. Ela nasce para tornar inteligível o que era, até então, confuso e ignorado.

É com os gregos que se começa a pensar, pois são eles os primeiros a utilizar a razão para compreender e justificar o surgimento de todas as coisas. São eles também que introduzem os termos kosmos, physys, arché e logus para compreender a causa, a origem e o princípio de todas as coisas. A terminologia é o começo do filosofar, a filosofia é posterior a ela.

João Alberto Acunha Tissot
Professor de Filosofia

segunda-feira, 9 de junho de 2014

A difícil arte de educar

Já se passou muito tempo desde o aparecimento do primeiro homem e ainda se trata do tema educação exaustivamente. Inúmeras teorias foram pensadas e até articuladas – algumas valiosas, outras nem tanto – e, mesmo assim, continuamos compartilhando espaços com pessoas que assumem atitudes que nos fazem refletir se o homem desenvolveu, em si e no outro, um processo educativo satisfatório. Mesmo passados mais de 20 séculos, o que se vê retrata, no mínimo, uma face confusa desse processo civilizatório.

Isso tudo realça a fraca assimilação do processo educativo acumulado, mesmo considerando o esforço de pais, professores e educadores estudiosos do assunto. Mesmo assim, não se conseguiu infundir nele, homem deste século, polidez suficiente para que nas comunidades humanas se efetivasse um convívio humano.
As repetições de erros históricos geraram o estado confuso em nos encontramos. No entanto, continuamos elaborando teorias na tentativa de obter um melhor resultado. Essa determinação é elogiável e comprova a esperança que o homem tem em si e no outro.

Não sabemos por que tudo se repete. Ignoramos como se dá, no íntimo da natureza humana, a assimilação do conteúdo ensinado. Não sabemos o que a torna afirmativa e nem o que a torna negativa. Nessa dinâmica, há os que aprendem, e os que não aprendem. Precisamos entender pedagogicamente como isso se processa.

Caso pudéssemos dispor de um instrumento para medir o grau de educação em nós, indistintamente, o resultado seria surpreendente. Tal dispositivo não existe, mesmo porque, homem nenhum se deixará enquadrar numa métrica específica. A natureza humana é complexa, agregando em si virtudes e defeitos, hábitos e costumes, emoções e sentimentos, tudo isso afeta suas ações e reações, produzindo seu resultado.
Educar exige do educador a identificação dos desdobramentos implícitos por essa complexidade. Nos falta método e competência para cuidar de nós mesmos.

Qual a solução? Jean Piaget, autoridade em educação, declara numa célebre frase: “A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe”.

Como se vê, educar não consiste apenas em oferecer um currículo tecnicamente bem elaborado, mas principalmente, permitir a ele, educando, transpor os círculos dos vícios e costumes duvidosos que o aprisionam historicamente.

João Alberto Acunha Tissot, professor de filosofia

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O passo de volta, um diálogo franco com a filosofia

A intenção deste espaço é oferecer, aos que tiveram seu interesse despertado pela filosofia, uma perspectiva inovadora que lhes permita abordar aquilo que é próprio da filosofia, mantendo-se no âmbito da filosofia e não fora dela. A filosofia, no momento atual, carece de uma oportunidade para que venha a ser tratada com respeito e como conhecimento humano de primeira grandeza, mantendo-a distante do ranço e do hermetismo acadêmico que até aqui a distanciou cada vez mais do homem contemporâneo, causando nele mais ojeriza do que simpatia. 

A filosofia pode, sem dúvida nenhuma, melhorar as relações humanas, ajudar a entender o que é a política, a desvendar a dinâmica do processo educacional, a aprimorar o comportamento humano na comunidade, a ensinar o significado do mito, rever o uso adequado da linguagem etc. Mas para isso acontecer, ela precisa criteriosamente ser revista, no desenvolvimento do seu processo histórico, revisitando aspectos que ficaram esquecidos e, principalmente, identificando aquilo que ela quer investigar, propondo novas perguntas e que são do seu interesse.

Hoje, a escassa lucidez, a rara noção e o pouco conhecimento, quando exaustivamente repetimos a palavra filosofia, surpreendem e espantam. Ainda não sabemos o que é filosofia, mas mesmo assim, insistimos e nos autodenominamos filosóficos, porque se ouve por aí que há filosofia de trabalho, filosofia de vida, filosofia do oriente e do ocidente, filosofia política, da educação, do direito etc. Mas me surpreende o embaraço das pessoas quando lhes perguntamos objetivamente: “o que é filosofia?”. 

Considero esse embaraço compreensível, porque embora repitam insistentemente – e cada uma tenha a “sua filosofia” –, falta a elas compreensão e entendimento a respeito desse conhecimento humano tão relevante. A precipitação conceitual, a compreensão e o entendimento superficial restringem e limitam o pensar filosófico, jogando-nos para fora do âmbito da filosofia. 

A filosofia ao longo de sua história já percorreu diversos caminhos e, mesmo assim, continua a inquietar aqueles que convivem ou lidam com esse conhecimento humano, impondo a eles enorme dificuldade no momento de compreendê-la ou defini-la.  

Meu propósito por meio do blog é resgatar aquilo que a filosofia esqueceu com o passar do tempo, o pensar filosófico, o filosofar, que é a origem da filosofia. Torna-se imperioso retomar o caminho iniciado pelos gregos desde os primórdios, e, com isso, voltar ao autêntico filosofar, que é a razão de ser da filosofia. O filosofar precede à filosofia e, até mesmo, aos filósofos como veremos no decorrer do tempo. Heidegger – filósofo alemão –, em sua obra Carta ao Humanismo, brilhantemente destaca: “Na sua gloriosa era os Gregos pensaram sem títulos e nem mesmo de ‘Filosofia’ chamavam o pensar”.
Pensar é preciso. Filosofar é preciso. Só aí teremos filosofia. Mas quem quer pensar precisa aprender. Mais que isso, precisa aprender o sentido e o significado do exercício do filosofar e do seu resultado para a vida humana. Filosofar não é apenas adejar, mas fazer do pensamento um caminho que vá à raiz de cada fato ou coisa, e com isso, sentir nessa proximidade o enigmático que ainda não aprendeu a pensar. 

O pensar filosófico exige vivência e, nesse aspecto, todos nós temos pouca experiência, principalmente aqui no Brasil, onde não há nenhuma tradição e afeição pela filosofia. Ou seja, o Brasil não tem tradição filosófica, e disso devemos tratar aqui no blog futuramente. 

Filosofar exige empenho, zelo e esforço contínuo, pois no filosofar se quer assimilar e conhecer cada coisa no momento do seu espontâneo e estranho aparecimento. É aí que o pensar enfrenta o ignorado, se torna conhecimento e se faz linguagem. O ato de filosofar busca um saber que venha vincar o próprio existir, a filosofia não está apartada do existir. Esse saber deverá ser proveitoso e, quiçá, viável ao homem.
Platão, na obra Eutidemo, clarifica a respeito dessa unidade que há entre pensar e ser: “De nada serviria a capacidade de transformar as pedras em ouro a quem não soubesse valer-se do ouro; de nada serviria uma ciência que tornasse imortal a quem não soubesse servir-se da imortalidade. Requer-se, portanto, uma ciência na qual coincidam pensar e ser. Esta ciência é a filosofia”. A filosofia no entendimento desse grande filósofo tem essa dimensão.


Convido as pessoas interessadas em questões filosóficas a usufruir do blog e estabelecer um convívio filosofante promissor e constante. Conto com a ajuda de todos para expandir o conteúdo e divulgar para amigos este espaço para a filosofia. 

João Alberto Tissot, professor de filosofia