segunda-feira, 7 de março de 2016
Oficinas filosóficas têm local definido
As oficinas filosóficas, neste ano de 2016, ocorrerão no Espaço de Arte Daniel Bellora, na Rua Três de Maio, 1005, em Pelotas (RS).
A primeira oficina abordará o tema “Introdução ao Filosofar” e está programada para o mês de abril. Serão quatro encontros, sempre à tarde.
Em breve, definiremos os dias da semana e os horários em que as oficinas ocorrerão.
Os interessados já podem se inscrever. Mais informações pelo facebook João Alberto Tissot, aqui pela página Filosofar é Preciso, no blog ou via e-mail.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Um pouco sobre filosofia moral
João Alberto Acunha Tissot
Licenciado em Filosofia
Não basta ficarmos comovidos ou indignados diante de tais circunstâncias, precisamos por à prova a nossa consciência moral, e com ela agir com autonomia e não sob a influência dos costumes que herdamos pela tradição da sociedade em que vivemos. A filosofia moral ou a ética nasce quando se passa a questionar o que são e o que valem os costumes. Sócrates é quem inaugura essa reflexão. É ele que passa a perguntar qual o sentido dos costumes transmitidos de geração em geração, pergunta também quais as disposições de caráter que levam alguém a respeitar ou a desrespeitar os valores herdados pela tradição.
Sócrates descobre a consciência do agente moral, ou seja, que para se tornar um sujeito ético, cada pessoa precisa saber como se faz, conhecer as causas e os fins de sua ação, o significado de suas intenções, de suas atitudes e a essência dos valores morais. Desse modo, percebe-se que só haverá comportamento ético numa sociedade, se nela houver a presença atuante do homem sem vícios, o homem ético.
“Para que haja conduta ética é preciso que exista o agente consciente, isto é, aquele que conhece a diferença entre bem e mal, certo e errado, permitido e proibido, virtude e vício. A consciência moral não só conhece tais diferenças, mas também se reconhece como capaz de julgar o valor dos atos e das condutas e de agir em conformidade com os valores morais. Consciência e responsabilidade são condições indispensáveis da vida ética”. (CHAUI, 2011, p. 266).
Mesmo passado tanto tempo, ainda podemos perceber o vigor e a originalidade do filosofar socrático. Ele permanece atual, embora pouco assimilado por nós. A filosofia afastou-se do seu ponto de origem, o pensar filosofante, decidiu percorrer outro caminho, preferiu tangenciá-lo, e isso é lamentável. Os pensadores originários foram alijados do processo filosofante.
CHAUI, MARILENA. Iniciação à Filosofia. São Paulo: Ática, 2011.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
A descoberta do eu racional
João Alberto Acunha Tissot
Licenciado em Filosofia
O homem, ente humano dotado de autonomia, escolheu para o seu agir o arbítrio e a deliberação amparada no eu existencial. Esquecendo-se de ponderar sobre si mesmo, passou de imediato a participar do mundo da vida, consigo e com os outros, estabelecendo para esse fim inúmeras relações humanas. Como corolário de suas atitudes, surgiram as dificuldades, os conflitos e as aflições, evidenciando sua insensatez.
Ao longo do tempo, o homem descuidou-se da sua humanização, dedicou-se a técnica, especializou-se na arte mecanicista, não aprendeu a pensar. Ele pensa, e sabe-se que sim, no entanto, quando pensa, volta seu pensar sobre si mesmo, ignora o outro e ainda inclui na sua indiferença, a natureza e o meio ambiente. Mesmo assim, reclama. Ele não sabe o que é alteridade, conceito filosófico que diz: “Ser outro, pôr-se ou constituir-se como outro”.
Imobilizado, aguarda, talvez, um movimento mágico, uma ação dos “deuses” na expectativa de encontrar um sentido para seu eu existencial. Ele não aprendeu a atuar pragmaticamente, não soube construir seu mundo, ele desconhece a sua natureza racional livre, a sua legítima autonomia. Ele solapou de si mesmo o que tem de melhor.
Georges Gusdorf, filósofo francês, diz: “A união da alma e do corpo, constitutiva, apesar de tudo, da realidade humana, reduz-se ao resultado de um encontro casual, prejudicial, aliás, à expansão do pensamento puro. É necessário fazer suas opções para viver, mas tanto quanto possível para filosofar. Porque é possível pensar sem o corpo, ou contra ele se for preciso, mas nunca com ele”.
Portanto, assimilemos tal pensamento e com ele resgatemos a nossa legítima autonomia, consolidando aquilo que ainda não se tornou uma experiência efetiva para nós, homens do nosso tempo.
domingo, 10 de janeiro de 2016
Em defesa do mito
João Alberto Acunha Tissot
Licenciado em Filosofia
O primeiro aspecto que precisamos considerar, e com ele realizar um trabalho confiável sobre o que é o mito, é a necessidade de preservar e utilizar as referências que nos foram legadas por pesquisadores confiáveis, tais como Mircea Eliade e Georges Gusdorf, por exemplo. Sem esse cuidado, persistiremos no equívoco da mera opinião que, segundo Platão, corresponde ao erro. Ele foi o primeiro a tratar a questão com relevante seriedade, ao propor um princípio de ciência para a sua filosofia, o que segundo ele, possibilitaria chegarmos ao conhecimento autêntico.
O mito e a sua respectiva investigação nos põem diante de uma realidade cultural extremamente complexa, podendo ser abordada e interpretada através de perspectivas múltiplas e complementares, segundo Eliade. Em virtude disso, o zelo ao tratar de uma realidade tão significativa para a história da humanidade requer de cada um de nós, dotados de vocação filosófica, uma diligente maestria na sua abordagem.
Outro aspecto que cabe salientar é a distinção que há entre o valor semântico do termo “mito”, reconhecido pela tradição, como “fábula”, “invenção” ou “ficção”, e a nova acepção assumida a partir do trabalho dos etnólogos, sociólogos e historiadores das religiões. Para eles, o vocábulo “mito” designa uma “história verdadeira”, dotada de “caráter sagrado, modelo exemplar e revelação primordial”. O mito, desse modo, justifica o surgimento de uma realidade que não existia. Ele faz uma narrativa a respeito “de algo que foi produzido e começou a ser” e, por isso, merece nossa atenção, reflexão e interesse.
É seguindo essa perspectiva que devemos conduzir nosso estudo e trabalho, pois foi deste modo que esses pesquisadores conseguiram seus melhores resultados. Se mudarmos o rumo da nossa investigação, estaremos assentindo com premissas duvidosas ou distorcidas.
Não é aconselhável, portanto, tomar como ponto de partida a mitologia grega, por exemplo, pois a maioria dos seus mitos foi recontada e, consequentemente, modificada, articulada e sistematizada por Hesíodo e Homero.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Sobre o surgimento do filosofar
Embora existam datas assinalando o início e o fim da trajetória da filosofia grega, eles cultivavam pensamentos filosóficos desde antes da demarcação histórica do surgimento da filosofia.
O que importa para nós, ao retomarmos nossa discussão filosófica, é que no século VI a.C, uma sucessão de indivíduos inexperientes e geniais introduziu de forma audaciosa um modo de pensar, até então, sem precedentes. Esses pensadores antigos, denominados de pré-socráticos, são os responsáveis pela passagem do pensar mito poético dos gregos e o início da racionalização que possibilitou, em curto prazo, o surgimento da filosofia.
Os pré-socráticos investigam, inicialmente, as questões ligadas à natureza, basicamente sobre meteorologia e seus fenômenos. De modo que Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo pela tradição histórica, previu com êxito um eclipse solar confirmado pela astronomia moderna por volta de 585 a.C.
No entanto, o que estimulou efetivamente o pensar dos pré-socráticos foi a própria ideia de ciência e de filosofia. É um modo científico ou racional de olhar para o mundo. Eles percebiam o mundo como algo ordenado, inteligível e passível de explicação, onde cada parte está organizada de forma compreensível. O mundo não é um aglomerado aleatório de partes. Ele exige explicações científicas e a elaboração de conceitos. E esses, por sua vez, permitirão o surgimento de outros, através do esforço científico. Os conceitos não surgem do nada. Os pré-socráticos estão entre os primeiros inventores.
Ao iniciar a árdua tarefa do filosofar diante da natureza, os pré-socráticos se depararam com algo até então inexplicável. Diante disso, ficaram espantados e perplexos. É o espanto que move a razão humana para produzir algo novo e ainda impensado, a filosofia. Ela nasce para tornar inteligível o que era, até então, confuso e ignorado.
É com os gregos que se começa a pensar, pois são eles os primeiros a utilizar a razão para compreender e justificar o surgimento de todas as coisas. São eles também que introduzem os termos kosmos, physys, arché e logus para compreender a causa, a origem e o princípio de todas as coisas. A terminologia é o começo do filosofar, a filosofia é posterior a ela.
João Alberto Acunha Tissot
Professor de Filosofia
O que importa para nós, ao retomarmos nossa discussão filosófica, é que no século VI a.C, uma sucessão de indivíduos inexperientes e geniais introduziu de forma audaciosa um modo de pensar, até então, sem precedentes. Esses pensadores antigos, denominados de pré-socráticos, são os responsáveis pela passagem do pensar mito poético dos gregos e o início da racionalização que possibilitou, em curto prazo, o surgimento da filosofia.
Os pré-socráticos investigam, inicialmente, as questões ligadas à natureza, basicamente sobre meteorologia e seus fenômenos. De modo que Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo pela tradição histórica, previu com êxito um eclipse solar confirmado pela astronomia moderna por volta de 585 a.C.
No entanto, o que estimulou efetivamente o pensar dos pré-socráticos foi a própria ideia de ciência e de filosofia. É um modo científico ou racional de olhar para o mundo. Eles percebiam o mundo como algo ordenado, inteligível e passível de explicação, onde cada parte está organizada de forma compreensível. O mundo não é um aglomerado aleatório de partes. Ele exige explicações científicas e a elaboração de conceitos. E esses, por sua vez, permitirão o surgimento de outros, através do esforço científico. Os conceitos não surgem do nada. Os pré-socráticos estão entre os primeiros inventores.
Ao iniciar a árdua tarefa do filosofar diante da natureza, os pré-socráticos se depararam com algo até então inexplicável. Diante disso, ficaram espantados e perplexos. É o espanto que move a razão humana para produzir algo novo e ainda impensado, a filosofia. Ela nasce para tornar inteligível o que era, até então, confuso e ignorado.
É com os gregos que se começa a pensar, pois são eles os primeiros a utilizar a razão para compreender e justificar o surgimento de todas as coisas. São eles também que introduzem os termos kosmos, physys, arché e logus para compreender a causa, a origem e o princípio de todas as coisas. A terminologia é o começo do filosofar, a filosofia é posterior a ela.
João Alberto Acunha Tissot
Professor de Filosofia
segunda-feira, 9 de junho de 2014
A difícil arte de educar
Já se passou muito tempo desde o aparecimento do primeiro homem e ainda se trata do tema educação exaustivamente. Inúmeras teorias foram pensadas e até articuladas – algumas valiosas, outras nem tanto – e, mesmo assim, continuamos compartilhando espaços com pessoas que assumem atitudes que nos fazem refletir se o homem desenvolveu, em si e no outro, um processo educativo satisfatório. Mesmo passados mais de 20 séculos, o que se vê retrata, no mínimo, uma face confusa desse processo civilizatório.
Isso tudo realça a fraca assimilação do processo educativo acumulado, mesmo considerando o esforço de pais, professores e educadores estudiosos do assunto. Mesmo assim, não se conseguiu infundir nele, homem deste século, polidez suficiente para que nas comunidades humanas se efetivasse um convívio humano.
As repetições de erros históricos geraram o estado confuso em nos encontramos. No entanto, continuamos elaborando teorias na tentativa de obter um melhor resultado. Essa determinação é elogiável e comprova a esperança que o homem tem em si e no outro.
Não sabemos por que tudo se repete. Ignoramos como se dá, no íntimo da natureza humana, a assimilação do conteúdo ensinado. Não sabemos o que a torna afirmativa e nem o que a torna negativa. Nessa dinâmica, há os que aprendem, e os que não aprendem. Precisamos entender pedagogicamente como isso se processa.
Caso pudéssemos dispor de um instrumento para medir o grau de educação em nós, indistintamente, o resultado seria surpreendente. Tal dispositivo não existe, mesmo porque, homem nenhum se deixará enquadrar numa métrica específica. A natureza humana é complexa, agregando em si virtudes e defeitos, hábitos e costumes, emoções e sentimentos, tudo isso afeta suas ações e reações, produzindo seu resultado.
Educar exige do educador a identificação dos desdobramentos implícitos por essa complexidade. Nos falta método e competência para cuidar de nós mesmos.
Qual a solução? Jean Piaget, autoridade em educação, declara numa célebre frase: “A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe”.
Como se vê, educar não consiste apenas em oferecer um currículo tecnicamente bem elaborado, mas principalmente, permitir a ele, educando, transpor os círculos dos vícios e costumes duvidosos que o aprisionam historicamente.
João Alberto Acunha Tissot, professor de filosofia
Isso tudo realça a fraca assimilação do processo educativo acumulado, mesmo considerando o esforço de pais, professores e educadores estudiosos do assunto. Mesmo assim, não se conseguiu infundir nele, homem deste século, polidez suficiente para que nas comunidades humanas se efetivasse um convívio humano.
As repetições de erros históricos geraram o estado confuso em nos encontramos. No entanto, continuamos elaborando teorias na tentativa de obter um melhor resultado. Essa determinação é elogiável e comprova a esperança que o homem tem em si e no outro.
Não sabemos por que tudo se repete. Ignoramos como se dá, no íntimo da natureza humana, a assimilação do conteúdo ensinado. Não sabemos o que a torna afirmativa e nem o que a torna negativa. Nessa dinâmica, há os que aprendem, e os que não aprendem. Precisamos entender pedagogicamente como isso se processa.
Caso pudéssemos dispor de um instrumento para medir o grau de educação em nós, indistintamente, o resultado seria surpreendente. Tal dispositivo não existe, mesmo porque, homem nenhum se deixará enquadrar numa métrica específica. A natureza humana é complexa, agregando em si virtudes e defeitos, hábitos e costumes, emoções e sentimentos, tudo isso afeta suas ações e reações, produzindo seu resultado.
Educar exige do educador a identificação dos desdobramentos implícitos por essa complexidade. Nos falta método e competência para cuidar de nós mesmos.
Qual a solução? Jean Piaget, autoridade em educação, declara numa célebre frase: “A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe”.
Como se vê, educar não consiste apenas em oferecer um currículo tecnicamente bem elaborado, mas principalmente, permitir a ele, educando, transpor os círculos dos vícios e costumes duvidosos que o aprisionam historicamente.
João Alberto Acunha Tissot, professor de filosofia
quarta-feira, 5 de março de 2014
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